quarta-feira, 18 de junho de 2025

De uma fé coxa

Passando a vida a agradecer ao Pai os (tantos) bons dias que me tem dado viver, faço acompanhar quase sempre essa gratidão de uma prece em que Lhe peço para me dar a coragem e força para quando os (inevitáveis) maus dias surgirem. Quando isso acontece, no entanto, esqueço, afinal, tudo o que Lhe pedi e começo a cobrar-lhe de um modo infantil o mau pedaço de tempo que me está a calhar viver.


Sinceramente, Deus preocupar-se comigo, com este mimado sem profundidade  e leviano que escreve isto, às vezes parece-me bom demais para ser verdade. 

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Os dogmas são indispensáveis.

O dogmatismo é indispensável à religião. Se não o fosse, a religião organizada, para existir, teria de ser científica (o que ela manifestamente não é, nem aspira a ser).


Como conseguir a coexistência entre a experiência religiosa pessoal, baseada numa convicção íntima e intransmissível, e a aceitação de dogmas para se poder pertencer a um grupo quando tantas vezes a primeira não aceita a segunda? Acho que a resposta está em que cada cristão tem duas identidades religiosas de natureza absolutamente diferente que gravitam uma à volta da outra, influenciando-se, raramente, aqui e ali, mas que existem sós e independentes.


Curiosamente, há grupos cristãos que se consideram (orgulhosamente) sem dogmas e outros para quem os dogmas são de uma codificação legislativa muitíssimo desenvolvida. Tudo explicável em termos sociológicos e históricos, mas sempre muito divertido de se analisar. 


  

sexta-feira, 6 de junho de 2025

A identidade cristã

Na procura de uma identidade, demorei alguns anos a conseguir responder à questão "que tipo de cristão sou?"


No processo da descoberta estudei vários sabores e formatos de cristianismo. É um mundo que me fascina e que, sendo entendido, só aumentou a minha fé no Pai.


Já com a resposta na mão, percebo que não há um grupo cristão especifico que preencha exatamente todas cruzinhas das minhas convicções. Parecendo, talvez, paradoxal, termino o processo com uma capacidade que não tinha ao inicio: consigo aceitar o fenómeno da fé cristã na maioria das suas variedades porque há sempre um discurso racional por detrás de cada uma. 


Quanto à minha identidade, ela é culturalmente evangélica batista e diria que, talvez (não conheço assim tão bem) ortodoxa, ou católica, em termos litúrgicos e espirituais. O que é que isso faz de mim? Faz-me, sobretudo, pequeno, o que está muito bem. Mas também agradecido a Cristo por este entusiasmo que hoje ainda sinto em ser cristão.