A predica no culto. A forma ou o estilo do pregador serão sempre irrelevantes quando comparados com as palavras.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2025
quarta-feira, 29 de janeiro de 2025
Da predica I
A predica nos serviços religiosos evangélicos é um elemento central. É um exercício que sempre me interessou, porque varia não só no estilo, mas também no tipo de conteúdo.
Em relação ao estilo, há os sérios, os zangados, os simpáticos, os humildes, os papás, os que gritam, os que leem tudo e de vez em quando olham para a congregação, os que não param quietos como se numa zona de catástrofe, os que se emocionam e choram, os frios como gelo, os que esbracejam com os dois braços ao mesmo tempo enquanto rodam as mãos num desejo de desenvolvimento cinético para o que estão a dizer, os que parece que estão num jogo de ténis, fixando uma e outra vez os pés como que se preparando para receber uma bola de serviço, os que usam histórias ilustrativas, os preocupados, os de gravata, os de polo, os de sweat shirt, os de t-shirt, os de intensidade contínua, os de intensidade imprevisível e os de intensidade baixa.
Já em relação ao conteúdo, há só três tipos: os que apresentam as Boas Novas com alegria, os que estão ali para administrar terapia psicológica e os que estão ali para nos fazer sentir miseráveis.
terça-feira, 28 de janeiro de 2025
O renascimento das comunidades cristãs locais
Agradeço ao Pai ter percebido, depois de muitos anos com uma opinião contrária, a importância da comunidade cristã local.
Nesta altura da minha vida acredito que a igreja será um tipo de comunidade muito valiosa para o ser humano, crente ou agnóstico.
De certo modo, é muito interessante verificar como, após uma segunda parte do século XX em que cultura ocidental virou costas o cristianismo, me parecer estar a existir uma reabertura ao cristianismo e um renascer das igrejas, ou comunidades cristãs, como local central na vida de muitas pessoas.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2025
O meu armário de curiosidades
Às palavras de Jesus que são misteriosas, e que não consigo interpretar de um modo definitivo, coloco num espaço próprio que reservei dentro da minha mente.
De tempos a tempos penso nelas e observo-as como as curiosidades inclassificáveis que são, acabando, quase sempre, por fechar a porta desse armário com um inconclusivo encolher de ombros. A exceção acontece quando uma revelação rara se dá a conhecer e as posso retirar e passar a usar no meu dia-a-dia. Gosto muito destes momentos.
domingo, 26 de janeiro de 2025
Da escolha da Igreja a que se quer pertencer
Se a religião é tão importante para mim, devo procurar a comunidade que está de acordo, ou mais perto, da verdade. Perante tantas organizações e opiniões teológicas, é fácil ficar paralisado e não optar por nenhuma, uma vez que irei encontrar motivos de dúvidas nas certezas absolutas com que cada uma delas se apresenta. Foi isso que me afastou da igreja durante duas décadas.
Consegui resolver esta questão minimizando ao essencial o meu cristianismo: o Deus Criador existe e quer que eu tenha uma relação pessoal com Ele através de Jesus, que ressuscitou e venceu a morte, demonstrando assim a sua divindade.
A partir daqui é simples juntar-me a uma comunidade. É como os contratos com, digamos, uma operadora de telecomunicações: não me vou dar ao trabalho de ler as letras pequeninas, isto é, os enredos teológicos e de tradição de cada comunidade, desde que o fundamental seja o foco. Sem nunca ir contra a minha consciência e intuição, a única regra, poderia juntar-me facilmente a Católicos, Ortodoxos ou Protestantes.
Pertenço a uma comunidade evangélica porque foi assim que fui criado e porque não encontro nenhum obstáculo fundamental nas suas práticas. Quem sabe se no futuro não irei derivar para outros lugares? Só o Pai sabe e assim é que está bem.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2025
O Materialismo e a Fé
Do mesmo modo que eu não posso provar a alguém o amor que sinto, digamos, pela minha esposa, também não é possível provar a ninguém a existência da minha fé no Pai. Posso tentar explicar, é certo, e tem sido assim ao longo de dois milénios com cada cristão, mas nunca provar de um modo universal.
A Fé e o Amor existem de um modo irrefutável dentro de mim. É uma outra manifestação da existência, algo íntimo para além do que é físico.
É esse primeiro passo racional que um materialista terá de dar se quiser perceber a Fé.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2025
Da ignorância religiosa crónica
É com surpresa que verifico que o Amarás o teu próximo como a ti mesmo é uma referência ao livro de Levítico, escrito, pelo menos, 350 anos antes de Cristo.
Desde pequeno que pensava nessa frase como uma originalidade e um momento de génio de Jesus.
Penso nisto e reflito nas minhas outras certezas acerca da Bíblia certamente baseadas na minha falta de conhecimento. Sim, é impossível erradicar a ignorância da minha religiosidade, o que, na verdade, acaba por ser libertador.
Graças ao Pai, a Fé é uma outra coisa, muito mais importante.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2025
Da inaptidão para o cristianismo
As tão diversas direções que o cristianismo pode tomar deixam-me confuso. Por isso, tenho muitas dúvidas acerca do que leio e oiço, não porque ache que as afirmações estão erradas, mas porque não as consigo pensar de um modo útil.
Admiro-me perante a sistematização sofisticada que salta de versículo para versículo ou perante a tradição que se justifica por si só. Começa-se em A, passa-se para B, depois para C e, pronto, antes de chegarmos ao D já me parece que o castelo de cartas ruiu dentro da minha mente.
Deve ser formidável ter tantas e tão profundas certezas teológicas. Eu talvez gostasse de ser um pouco mais inteligente para lhes chegar.
terça-feira, 21 de janeiro de 2025
Dos dons
Apercebo-me, passados todos estes anos, que quando se refere aos dons em 1 Coríntios 12:1-11, o apóstolo Paulo não se refere ao dom do milagre, mas ao dom de cura. Enfim, é um acrescento bem vindo e um território ganho à ignorância que agradeço.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2025
Do silêncio crepuscular
Aos poucos, lentamente, o silêncio, ou antes, a falta de palavras, vai tomando conta de mim. Até em relação a Cristo e ao testemunho da minha relação com o Pai. É como se as convicções, cada vez mais simples e primordiais, estivessem a perder a capacidade de serem verbalizadas a não ser em oração.