sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Da evolução da perceção de Deus

É verdade que as cores foram sempre mudando, assim como as formas por mim idealizadas do Pai. A metamorfose é minha. Tenho-o visto e pensado de modos que não se repetem, isto é, com nuances e com emoções diferentes ao longo da minha vida.  

Os véus entre mim e Ele vão sendo retirados, acredito. Isso já aconteceu tantas vezes que a minha perceção de há muito anos atrás, se representada, pouco teria a ver com a de hoje. Mas é sempre Ele. É o meu Deus. Isso nunca muda e é maravilhoso. Sim, é Ele!

 

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Um movimento perene

Seja como for, os tempos são outros. Mesmo que não faça sentido orar ou esperar o que quer que seja de Deus, e isto tendo em conta o que interiormente tenho vivido em termos espirituais, continuo a falar com Ele. E não é por superstição que o faço. Eu acredito mesmo que estou a falar com o Criador do Universo. 

Os tempos são outros, é verdade, mas eu e Ele somos os mesmos.  

 

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Do exílio

Estava no exílio pouco tempo depois de descobrir a verdade acerca da religião cristã. E assim estive duas décadas. Alguém usou, erradamente, a Parábola do Filho Pródigo (é quase perturbador o nível de afeto que os evangélicos dedicam a essa parábola) para descrever esse tempo em que não fiz parte de nenhuma comunidade. Essa ingenuidade involuntariamente arrogante, de se achar que a igreja se pode comparar a Deus, aquece-me o coração e comove-me como o gesto mal medido daquele que inadvertidamente derruba um copo de água que pretendia estender a alguém com sede. 

A verdade do Pai não se revelou no exílio. Ela desenvolveu-se. Ganhou matéria. Deixou, graciosamente, que eu a incorporasse, que a começasse a perceber.

É tarefa para uma vida, essa de perceber a verdade de Deus.  

  

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Do excesso de zelo

O culto acabou há minutos. As pessoas dispersam.

Cumprimento D. Falamos um pouco. A certa altura da conversa, ele diz-me, cheio de entusiasmo, que é um apologeta.

Quero avisar: "Cuidado que o excesso de zelo é um destruidor formidável", mas não o faço. Não é possível dizer-se palavras certas que mudem a atitude de um religioso.

Vou triste no caminho para casa.

A certeza intelectual é um vicio indetectável a quem dele padece.

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Do não saber

O amor de Deus amarra-me as mãos. Quanto mais sei acerca do que os outros dizem do Pai, menos consigo saber para mim mesmo.

O amor de Deus amarra-me as mãos. A corda flácida rente ao chão sem ninguém lhe pegar. Esperava que fosse Ele que me fosse puxando para um futuro que tivesse planeado para mim. Mas não. Mas não. Mas não. As respostas às minhas orações são muitas vezes "mas não". E é assim, mas nem sempre.

O amor de Deus amarra-me as mãos. Fico. Vou. Paro. Avanço. Perante o Absoluto, as mãos juntas pelos pulsos comprimidos um contra o outro.