Encontrei no meu pensamento crítico inato, esse querer sempre apurar se o que me dizem é verdade/correto ou não, uma dificuldade extrema na minha relação com a igreja. Não consigo ter reserva mental para todas as incongruências do seu discurso.
A minha expetativa em relação a Deus tem sido um emaranhado baseado em
versículos avulsos, teologia sistemática e ideias gerais que me transmitiram.
Ao colocar tudo nas minhas orações acabei por perceber que o desânimo
sobrevinha de cada vez que se verificava o Seu silêncio perante as minhas
preces.
Entendi que, se tudo o que Lhe digo pode estar à partida inquinado pela minha
ignorância e pelas minhas características psicológicas particulares, vivo numa
expetativa irreal e que quase sempre não encontra uma resposta nos meus dias. Isto
baralha a vida quando se coloca Deus no centro de tudo. A sensação de culpa por não entender e por esperar e não acontecer entorprece e diminui o que posso ser, para mim e para os outros.
Pensei: e se eu deixar de orar? Será que esta frustração que me empurra para
baixo desaparece? E se eu, acreditando, tendo sido batizado e procurando a vontade
do Pai estiver pronto para o passo a seguir e somente viver sem estar obcecado
com a oração?
Foi o que fiz e há já muitos anos que não me sentia tão completo.
De tudo isto percebo que a religiosidade que Deus pede a cada um poderá não ter a mesma forma.
Eu sigo O Caminho. Penso em Cristo e no que Ele nos transmitiu: ser sal e luz no mundo, isto é, as
ações serem de acordo com a Sua vontade. Amar a Deus e ao próximo como a mim
mesmo, isto é, ter sempre a noção de que tudo o que faço ou penso deve ser
mediado por esses dois tipos de amor.
Será hoje
então isto: Deus chama-me a viver sem estar preocupado com o que lhe devo dizer
ou que tipo de teologia e tradição devo seguir.
Viverei,
então, ciente de que Ele e os seus anjos estão comigo. Não estarei em silêncio
porque falará esta vida que lhe dediquei. A Ele toda a glória.