Visito-o na ala Psiquiátrica do hospital da Amadora. Músico, bipolar e toxicodependente, no auge da crise que o levou ali, em que já estava a viver na rua procurando unicamente forma de arranjar dinheiro para o próximo chuto de crack, vendeu todo o seu material musical, inclusivamente o que eu lhe tinha oferecido. Abraçamo-nos durante muito tempo, comovidos, e depois ele mostra-me as barras nas janelas numa visita guiada em que encontramos outros doentes a deambular. Vejo que tem um Novo Testamento, com acrescento dos livros de Salmos e Provérbios, dos Gideões Internacionais, na mesa de cabeceira. Conversamos e no fim ele pede-me sugestões de salmos. Indico-lhe o 88 e o 139 e recomendo-lhe que os leia nessa ordem.
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