terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Da traição aos nossos

Ao ir percebendo de um modo diferente o protestantismo em geral, e a quase inacreditável (para mim) infantilidade do culto e teologia das muitas religiões evangélicas em particular, sinto uma forma de tristeza originária na perceção de estar a cometer uma traição tribal aos meus.

Não irei falar com a minha família e amigos evangélicos de tudo isto que tenho vindo a descobrir aos poucos. Considerar-me-iam perigoso e inconveniente. E quem é que quer ser considerado assim pelos que ama? Quem é que quer colocar as crenças alheias em cheque quando tanto na vida dos outros parece depender delas? No fundo, quem é que quer ouvir o que não quer e sentir-se ameaçado na sua cosmovisão?


segunda-feira, 17 de novembro de 2025

A minha primeira missa

Assisti ontem, aos 52 anos, pela primeira vez, a uma missa católica. Digo assisti, e não participei, porque há uma série de palavras ditas pela congregação que não sei de cor e que não pude acompanhar. Também não tomei parte da Eucaristia, reservada aos católicos.

A minha experiência, de resto, foi tão boa que me parece que posso parar de procurar um lugar para adorar e cultuar com irmãos na fé cristã. Tudo na liturgia e na atitude dos crentes bate certo. 

Estou muito contente e otimista, mas, obviamente, cauteloso.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Da assunção da mudança

Tentei e não consegui adaptar-me à ideia de liturgia e adoração evangélicas. Fico triste, porque tenho muitos amigos e familiares que são batistas. 

Assisti ontem pela televisão à minha primeira missa católica. Se a liturgia, sentido de reverência e adoração parecem-me as que fazem sentido para mim, como eu suspeitava, a dificuldade que sinto por me parecer que estou a trair a minha tribo é bem grande. Afinal, a maioria dos meus achará que me juntei ao inimigo e que assim já não serei salvo.

Seja como for, sei que nunca me tornarei católico. O Catolicismo Romano tem ideias demasiado malucas que eu nunca abraçarei por não fazerem sentido perante Cristo. Agora, que é provável que eu passe a frequentar a missa, sim, é provável. É que a que assisti foi só à volta de Deus Pai e de Jesus e isso interessa-me.

Talvez esteja a começar alguma coisa de novo.

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Ser feliz e triste com Deus

Desde pequeno que oro ao Pai. Nesse sentido, Deus poderá entender-se, como eu o entendo, como o meu mais constante companheiro de viagem. Acompanhou-me em todas as fases. Foi-me sempre  mostrando o caminho e eu fui-o compreendendo de modos diferentes.

Hoje sou um homem feliz e triste, assumo-o sem qualquer tipo de drama. O modo como vejo o Pai é bastante diferente de como o via há, digamos, 5 anos, em que o percebia ativo e interventivo. Miraculoso.

Talvez seja por isso que os textos bíblicos que atraem a minha atenção foram mudando. Neste período (mais um entre tantos) estou como que fixado em Eclesiastes. É um objeto estranho ao resto da Bíblia, mas, descobri-o, é o que mais sentido faz perante o evangelho.

 

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Da evolução da perceção de Deus

É verdade que as cores foram sempre mudando, assim como as formas por mim idealizadas do Pai. A metamorfose é minha. Tenho-o visto e pensado de modos que não se repetem, isto é, com nuances e com emoções diferentes ao longo da minha vida.  

Os véus entre mim e Ele vão sendo retirados, acredito. Isso já aconteceu tantas vezes que a minha perceção de há muito anos atrás, se representada, pouco teria a ver com a de hoje. Mas é sempre Ele. É o meu Deus. Isso nunca muda e é maravilhoso. Sim, é Ele!

 

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Um movimento perene

Seja como for, os tempos são outros. Mesmo que não faça sentido orar ou esperar o que quer que seja de Deus, e isto tendo em conta o que interiormente tenho vivido em termos espirituais, continuo a falar com Ele. E não é por superstição que o faço. Eu acredito mesmo que estou a falar com o Criador do Universo. 

Os tempos são outros, é verdade, mas eu e Ele somos os mesmos.  

 

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Do exílio

Estava no exílio pouco tempo depois de descobrir a verdade acerca da religião cristã. E assim estive duas décadas. Alguém usou, erradamente, a Parábola do Filho Pródigo (é quase perturbador o nível de afeto que os evangélicos dedicam a essa parábola) para descrever esse tempo em que não fiz parte de nenhuma comunidade. Essa ingenuidade involuntariamente arrogante, de se achar que a igreja se pode comparar a Deus, aquece-me o coração e comove-me como o gesto mal medido daquele que inadvertidamente derruba um copo de água que pretendia estender a alguém com sede. 

A verdade do Pai não se revelou no exílio. Ela desenvolveu-se. Ganhou matéria. Deixou, graciosamente, que eu a incorporasse, que a começasse a perceber.

É tarefa para uma vida, essa de perceber a verdade de Deus.  

  

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Do excesso de zelo

O culto acabou há minutos. As pessoas dispersam.

Cumprimento D. Falamos um pouco. A certa altura da conversa, ele diz-me, cheio de entusiasmo, que é um apologeta.

Quero avisar: "Cuidado que o excesso de zelo é um destruidor formidável", mas não o faço. Não é possível dizer-se palavras certas que mudem a atitude de um religioso.

Vou triste no caminho para casa.

A certeza intelectual é um vicio indetectável a quem dele padece.

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Do não saber

O amor de Deus amarra-me as mãos. Quanto mais sei acerca do que os outros dizem do Pai, menos consigo saber para mim mesmo.

O amor de Deus amarra-me as mãos. A corda flácida rente ao chão sem ninguém lhe pegar. Esperava que fosse Ele que me fosse puxando para um futuro que tivesse planeado para mim. Mas não. Mas não. Mas não. As respostas às minhas orações são muitas vezes "mas não". E é assim, mas nem sempre.

O amor de Deus amarra-me as mãos. Fico. Vou. Paro. Avanço. Perante o Absoluto, as mãos juntas pelos pulsos comprimidos um contra o outro. 

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Da informação circulante limitada

De volta às várias teorias da crítica textual do Velho Testamento, dou por mim a pensar em como as religiões "oficiais" podem ser consideradas se vistas a partir destes locais, como imperialmente simplistas. 

Talvez a Tradição seja a verdadeira força de qualquer ramo do cristianismo. Será o cimento de uma igreja, de qualquer igreja, o dogma? 

 

 

 

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Da bizarria

Se reservo um tempo para pensar nisso, acabo sempre por ficar com a mesma impressão de que a minha fé pode ser algo com o seu quê de bizarro. Isso traz desconforto. É solitário. Ninguém quer falar comigo sobre isso.

Se é verdade que sempre padeci de uma incapacidade letal de aceitar como convicção o que me dizem só porque sim, não deixo de ambicionar o conformismo religioso como sinal de conforto social.

segunda-feira, 21 de julho de 2025

Do jugo desigual

Acontece, por vezes, reparar nisto: o que significa eu ser o único cristão lá em casa? Algo tão fundamental não ser partilhado com a pessoa com quem tenho um projeto de vida em comum poderia parecer um problema, mas não é.


A mente é uma máquina de compartimentação formidável e o apóstolo Paulo, naturalmente ignorante, não estava a par de como poderia ser a vida com 2 mil anos de cristianismo a formatar uma sociedade.

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Os Luteranos são os mais fixes. E depois?

Partindo da premissa de um mundo religioso em que se pode escolher o sabor que nos apetece no momento, volto a olhar para a Igreja Luterana e confirmo que acho que é a mais fixe de todas. Tem os sacramentos, a ceia do senhor em todos as reuniões, a liturgia (vestimentas, cânticos e movimentos) é bonita e o culto é centrado no evangelho.


Acho detestável a premissa da "escolha do sabor." Não é isso que pratico. Antes, considero que a comunidade é mais importante do que a denominação (o sabor) cristã. 


A igreja a que pertenço não tem tudo como eu gostaria em termos litúrgicos ou de ensino. E é assim que deve ser. Se eu escolher em função de me sentir bem, mais cedo ou mais tarde estarei a mudar de igreja, isso é certo. A igreja não é um produto a ser consumido.


 

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Teorias fraquinhas acerca de Deus

Um momento em que a teoria demonstrou estar errada. 


Construí a minha vida sobre um tipo de oração íntima e aberta a tudo o que achasse necessário dizer ao Pai. Recentemente, porém, intelectualizando, deixei de a praticar. Um erro.


Ontem, escorregando em direção a uma tristeza habitual, mas já com um pouco de desespero, soube que necessito de orar como sempre, mesmo que isso não faça sentido perante a minha grande e muy brilhante teoria de Deus. 


Orei. A cura foi imediata. Eu percebi isto que agora acabei de escrever.


 

terça-feira, 15 de julho de 2025

Menos é mais

Quanto mais vou ouvindo em termos de cristianismo, menos vou sabendo, na medida em que me apercebo de que tanto, não só é desnecessário, como também atrapalha a simplicidade da minha relação com o Pai.

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Uma resposta

A esta pergunta respondo que é Deus e que percebo que nenhuma tradição cristã pode dizer com propriedade que é o único caminho para Deus. Assim escrito parece básico a um nível quase idiota, mas a verdade é que muitas das tradições partem do pressuposto contrário. 

domingo, 13 de julho de 2025

Uma pergunta

O cristianismo também é fascinante porque é mesmo muito diverso nas identidades religiosas que originou até aqui. 


Se pensar que, de algum modo, cada uma das interpretações tenderá a considerar-se a correta, estando, assim, as outras erradas, e que isso seja determinante para a salvação prometida por Deus, posso depreender sem dificuldade que grande parte dos cristãos vivos e mortos acreditam, ou acreditaram, viver uma vida de comunhão com o Pai que o não foi. Então, de onde veio o acompanhamento, conforto e carinho  que sentiram por parte de Deus? Se eles, afinal, não faziam parte do Reino, e o seu destino é o Inferno, quem os acompanhou na motivação das suas boas obras, observância dos mandamentos e no pedido de orientação pelo Santo Espírito?

quarta-feira, 9 de julho de 2025

Da negociação

Parece-me que a minha Fé tem sido tecida pelos resultados de uma negociação permanente entre o interior e o exterior. Dentro, o que vou estabelecendo como chão na minha relação com o divino. Fora, os reflexos que me chegam dos outros em relação à religião.


Por vezes, dão-se avanços na minha compreensão, graças a essa negociação. Como no momento atual em que a contemplação, diria de natureza  mística (que sei eu?), parece ter-se tornado o sistema operativo do meu sentimento religioso. 


O mundo não tem capacidade de dar o que quer que seja para me ajudar a combater o caos. É através de Deus que eu encontro o sentido e estabeleço o caminho que julgo ser o melhor


    

terça-feira, 8 de julho de 2025

Cruzamentos cada vez mais raros II

Tenho falado cada vez menos com o pai


Estabelecido, racionalmente, que Ele já me respondeu diretamente, e objetivamente, continuo a pedir-lhe, essencialmente, por outros. Quem sabe se se pode considerar também uma terapia ou uma forma de aligeirar a preocupação pelos outros? Não o acho neste assunto. O mundo espiritual é real e repleto tanto de vontades como de invisibilidade.


Perante isto, e perante a insignificância da Bíblia e da Tradição perante Deus, sinto-me livre e aliviado ao perceber que, na verdade, o convite do Pai, e Cristo, é outro, um muito diferente daquele com que cresci. 


Deus é Bom. As encruzilhadas e as dúvidas são cada vez mais raras.

Cruzamentos cada vez mais raros I

Tenho vindo a falar cada vez menos com o Pai. 


Estabelecido, racionalmente, que Ele não é sensível às minha opiniões e emoções acerca do que quer que seja, para quê falar? Para mim? Para me sentir melhor? Orar trata-se tão somente de cuidar da minha saúde psicológica? Uma terapia emocional, no fundo?


Agradeço. Vou agradecendo sem nunca me esquecer que podia ser assim como aconteceu ou o seu contrário. É irrelevante, na verdade. Já aconteceu, ou nunca chegou a acontecer, e é deixar ir com o convencimento de que se Deus quiser mandar sofrimento, manda, e se quiser mandar bênção, manda, e eu não tenho nenhuma palavra a dizer acerca. Na verdade, não me parece que Ele esteja assim tão preocupado comigo e com os meus fait divers.


Perante isto, e perante a insignificância da Bíblia e da Tradição perante Deus, sinto-me livre e aliviado ao perceber que, na verdade, o convite do Pai, e Cristo, é outro, um muito diferente daquele com que cresci. 


Deus é Bom. As encruzilhadas e as dúvidas são cada vez mais raras.

quarta-feira, 18 de junho de 2025

De uma fé coxa

Passando a vida a agradecer ao Pai os (tantos) bons dias que me tem dado viver, faço acompanhar quase sempre essa gratidão de uma prece em que Lhe peço para me dar a coragem e força para quando os (inevitáveis) maus dias surgirem. Quando isso acontece, no entanto, esqueço, afinal, tudo o que Lhe pedi e começo a cobrar-lhe de um modo infantil o mau pedaço de tempo que me está a calhar viver.


Sinceramente, Deus preocupar-se comigo, com este mimado sem profundidade  e leviano que escreve isto, às vezes parece-me bom demais para ser verdade. 

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Os dogmas são indispensáveis.

O dogmatismo é indispensável à religião. Se não o fosse, a religião organizada, para existir, teria de ser científica (o que ela manifestamente não é, nem aspira a ser).


Como conseguir a coexistência entre a experiência religiosa pessoal, baseada numa convicção íntima e intransmissível, e a aceitação de dogmas para se poder pertencer a um grupo quando tantas vezes a primeira não aceita a segunda? Acho que a resposta está em que cada cristão tem duas identidades religiosas de natureza absolutamente diferente que gravitam uma à volta da outra, influenciando-se, raramente, aqui e ali, mas que existem sós e independentes.


Curiosamente, há grupos cristãos que se consideram (orgulhosamente) sem dogmas e outros para quem os dogmas são de uma codificação legislativa muitíssimo desenvolvida. Tudo explicável em termos sociológicos e históricos, mas sempre muito divertido de se analisar. 


  

sexta-feira, 6 de junho de 2025

A identidade cristã

Na procura de uma identidade, demorei alguns anos a conseguir responder à questão "que tipo de cristão sou?"


No processo da descoberta estudei vários sabores e formatos de cristianismo. É um mundo que me fascina e que, sendo entendido, só aumentou a minha fé no Pai.


Já com a resposta na mão, percebo que não há um grupo cristão especifico que preencha exatamente todas cruzinhas das minhas convicções. Parecendo, talvez, paradoxal, termino o processo com uma capacidade que não tinha ao inicio: consigo aceitar o fenómeno da fé cristã na maioria das suas variedades porque há sempre um discurso racional por detrás de cada uma. 


Quanto à minha identidade, ela é culturalmente evangélica batista e diria que, talvez (não conheço assim tão bem) ortodoxa, ou católica, em termos litúrgicos e espirituais. O que é que isso faz de mim? Faz-me, sobretudo, pequeno, o que está muito bem. Mas também agradecido a Cristo por este entusiasmo que hoje ainda sinto em ser cristão.


 

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Falarmos a uma só voz

Há já algum tempo que reflito sobre a obsessão, por parte dos cristãos, de acharem que só há um modo de pensar a Bíblia e o cristianismo. Cada seita, grupo ou igreja considera que há uma única forma correta de o cristianismo poder ser vivido do modo que o Pai deseja. Há uma interpretação sem mácula da Bíblia, e da tradição, e todas as outras devem conformar-se a ela. A contradição é evidente e, ao mesmo tempo, engraçada. 


Ao caminhar com a realidade, e não com o meu desejo de realidade, é simplesmente honesto admitir que desejar a uniformidade não faz sentido. O que faz é, ao contrário, aceitar que o cristianismo "bate" de maneiras diferentes na mente e sentimentos das pessoas. Há pessoas que se consideram cristãos e não concordam com a ideia da Trindade,  os que têm uma Bíblia com mais livros ou ainda, por exemplo, os que não concordam com a ideia de inerrável quando aplicada às Escrituras. 


Só se explica a necessidade de falarmos todos a uma só voz, isto é, defendermos todos a mesma doutrina, por insegurança, desejo de controlo e  orgulho, parece-me. Mas ainda tenho de pensar mais sobre o assunto.

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Das complicações (des)necessárias no cristianismo

O Rosário é um artefacto muito curioso. Um pouco como as máquinas de fumo  e as bandas pop de muitos cultos evangélicos de hoje, parece algo que foi longe demais no desenvolvimento de um propósito. A complexidade do manuseio adequado, por um lado, e a perplexidade, por outro, que me causam as regras absurdas do manual de instruções do aparelho, dizem-me que esta máquina de meditar nunca será para mim. 


Não obstante, percebo o entusiasmo de puzzle de 10 mil peças concluído que o Rosário deve fazer sentir a quem se dá ao trabalho de o completar. Isso deve ser precioso.


 

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Retirar os obstáculos

Foi uma libertação quando passei a tomar por secundárias a tradição das igrejas e a ideia de que a Bíblia é inerrável.


Retirados esses interessantes obstáculos, a vista ficou desimpedida para assumir somente os dogmas pessoais que a minha experiência com o Pai tem criado. 


Podendo parecer um contra-senso, em vez de isto me tornar cada mais individualista, acho que me tornou um muito melhor jogador de equipa, no que ao cristianismo diz respeito.    

terça-feira, 27 de maio de 2025

Correr e falar com Deus

Sinto prazer em orar e em correr e, por vezes, junto as duas atividades, como aconteceu hoje ainda antes de o dia nascer.


Há qualquer coisa no ritmo da passada, e no da respiração, que facilita a conversa com Deus. Penso nisto e acho que percebo um pouco melhor as tradições religiosas que usam a repetição, quer para atingirem estados raros e místicos de ligação ao divino, quer para reforçarem, com o esforça da ladainha, o seu comprometimento com o que dizem ou cantam. Sou até, de certo modo, fascinado por isso. As danças do grupo dos  Dervishes, sufis muçulmanos, ou esse grande mistério que é o uso do rosário pelos católicos, são bons exemplos.  


É muito interessante como os princípios físicos são tantas vezes facilitadores dos espirituais.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Maria salva?

Um dos meus músicos preferidos é Arvo Part, cujas composições são marcadas pela religiosidade. Numa das obras do compositor Estónio canta-se "Most Holy Mother of God, Save Us."(Santa Mãe de Deus, salva-nos), algo comum em preces marianas, segundo consegui entender.


Não sendo católico, fui tentar perceber a base da perceção que permite pensar que Maria salva e confirmei o que já sabia: que para a Igreja Católica Romana, e para a Igreja Ortodoxa nas suas variantes, a mãe de Jesus é, além deste, a única personagem do Novo Testamento que está simbolicamente presente e é referida, de modo indireto, no Antigo Testamento. No entanto, não tendo encontrado nenhuma referência ao poder de Maria para salvar, uma vez que, segundo a Igreja, isso só está ao alcance de Cristo, fico-me a perguntar de onde virá a ideia explícita na música de Part. Suspeito que tenha a ver com a ideia de co-redenção esticada até ao limite, mas é só uma suposição.

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Do silêncio perante a discórdia religiosa

Ao longo do anos aprendi a calar a maior parte das minha opiniões em termos religiosos quando estas são diferentes, ou mesmo contrárias, às dos que com quem converso.


É agudo o desconforto causado por uma ideia que vai contra o que se tem como base de uma fé religiosa. Coisa intima, muitas vezes ligada de um modo muito forte a sentimentos sociais, familiares e existenciais, quando a crença é posta em causa pode causar dor e até, por instinto, ser confundida com agressão.


E, bem vistas as coisas, qual é a vantagem de se mudar o que para nós é bom e não faz mal a ninguém? Pode argumentar-se que a Verdade é importante para todos e que deve ser dita. Todavia, o que muitas vezes tomamos como verdade é, a maior parte das vezes, só opinião. Porque haveria a minha opinião de ser assim tão relevante para que, com ela, o outro fique a sentir-se sem pé? Sim, não é importante e ainda bem.

quarta-feira, 23 de abril de 2025

5 perguntas e 1 resposta que te dirigem para Deus

1- Os evangelhos são fontes históricas confiáveis?


2- Jesus existiu e não é um mito?


3- Há razões racionais válidas para acreditar que Jesus voltou a viver depois de morto?


4- Jesus era quem dizia ser, isto é, Deus encarnado?


5- Se, após pesquisares, considerares verdade todos os pontos anteriores, o que deves fazer com essa informação?


Resposta: Fala com Deus, pedindo o perdão para os teus erros e que Ele passe a comandar a nova vida que te oferece cheia de amor e de liberdade.

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Da defesa da fé cristã

O Pai não me atribuiu uma mente apologética de qualidade.


Quando dou por mim a tratar a defesa da fé cristã nos meus pensamentos, a incapacidade da sistemática apologética é tão flagrante que me faz pensar em uma outra minha característica: a de não ser um bom jogador de xadrez, em que vou até certo ponto de capacidade de análise e, a partir daí, geram-se buracos de argumentação que sou incapaz de prever.


A sabedoria do meu Mestre também se manifesta em ninguém, crente ou incrédulo, me perguntar seja o que for acerca da minha fé.

terça-feira, 15 de abril de 2025

Da ambição

Ao longo da vida o Pai agraciou-me com perda de ambição. 


Já não conto, nem desejo, chegar a nenhum lugar, cumprir qualquer projeto nem adquirir o que quer que seja. Para além do que é necessário para eu e a minha família sobrevivermos, não ambiciono mais nada.


Nem sempre foi assim. Pelo contrário. 


Estar contente e satisfeito não é trendy, mas é bem fixe. 


 

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Da mudança de aceitação do religioso

C ficou espantada por na sua turma a maioria dos seus colegas acreditar em Deus.


Os tempos vão mudando e eu acredito que se está a iniciar uma nova era de aceitação e adoção, mais do que do espiritual, do religioso. 


A produção artística sempre foi o batedor das novas tendências sociológicas. É também por aqui que se pode ver o inicio desta mudança, com o gradual abandono por parte dos artistas dos, até aqui, dominantes temas identitários deste século.


Um exemplo desta transição são os perfis dos finalistas do Prémio EDP. Ainda não é religião, mas está quase lá.

terça-feira, 8 de abril de 2025

Acerca de Tiago

Após a ascensão de Jesus, Tiago, seu irmão, foi escolhido como líder da igreja de Jerusalém. Aí está alguém importantíssimo para o cristianismo cuja relevância foi quase por completo ofuscada pela do apóstolo Paulo e, em certa medida, pela de Pedro.


Parece existir a possibilidade de o movimento de Jesus em Jerusalém ter tido particularidades, que nunca iremos conhecer, que o diferenciavam do da pregação da Boa Nova aos gentios.


É referido por Josefo, o historiador romano, e por alguns dos pais da igreja, além de estar presente no apócrifo evangelho de Tomé. Quanto à epístola a si atribuída pela tradição, será o único escrito que dele nos chegou.


Além da grande curiosidade pelo seu pensamento e doutrina, a particularidade acerca de Tiago que mais me intriga é poder representar um exemplo de sucessão por linhagem num movimento religioso, como viria a acontecer, por exemplo, com o islamismo uns séculos mais tarde.

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Da coragem de Jesus

Relembro o Paixão de Cristo, de Mel Gibson.


A violência sobre Jesus nos seus últimos momentos contrasta em tudo com os inúmeros atos de amor que ele teve durante a sua vida.


Penso que Jesus foi, também, um homem exemplar. Corajoso, valente, enfrentou quem tinha de enfrentar sabendo que o que o esperava era o ódio dos poderosos. 

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Do asséptico e do sujo

Reparo que a minha vida espiritual usa duas perspetivas.


A primeira, a mais fofinha e iluminista, é a que me diz que o assunto se cinge a Deus e nós que, usando o nossa liberdade de escolha, Lhe obedecemos ou não.


A segunda fala de um terceiro elemento, o sobrenatural que nos rodeia e que tem um papel importante em tudo o que acontece. 


Por educação, penso que frequentarei muito mais o primeiro que o segundo, apesar de saber, por dolorosa experiência própria, que é o segundo com que tenho de contar.


 

segunda-feira, 31 de março de 2025

Da dimensão (supostamente) esmagadora de Deus

Mais uma vez dou por mim a dizer-me que não consigo perceber como é que posso ser importante para Deus, o Criador do Universo.


De seguida, penso no facto esmagador de já terem existido biliões de pessoas antes de mim e que Deus se terá preocupado e estado atento a todas elas, a todas as suas ações, histórias e pensamentos. Concluo que, de facto, é mesmo difícil chegar à conclusão de que Ele se importará comigo, com a minha vida insignificante e com o meu destino.


É tudo tão grande, tão absoluto que desisto de pensar mais nisso. De seguida, oro dizendo que não percebo, mas que isso não é importante.  

sexta-feira, 21 de março de 2025

Do novo crescimento do cristianismo

Leio que o cristianismo, no ocidente, começa a recuperar em termos de novos aderentes.


Haverá muitos fatores a ter em conta, mas, para mim, a principal razão parece-me, por enquanto, a de uma habitual reação social de geração. Se os meus pais fazem isto, eu vou fazer o contrário. Ou, se os meus pais são ateus, o fixe é virar-me para Deus.


Gostaria que no futuro fosse mais profundo, que fosse uma procura pessoal de quem percebe que o materialismo, hedonismo e niilismo já provaram não funcionar na sua proposta de que não existe nada acima de nós próprios. 


 

terça-feira, 18 de março de 2025

O que Jesus venceu

Depressões, doenças, desemprego e dificuldades familiares. Há muitos seguidores de Jesus com fardos pesados. Penso nas palavras de Cristo em João 17:15  e no que poderá significar esse maligno ou mal 


É duro, parece insensível, diria, pensar que o "mal" não é o que me faz sofrer, mas sim o afastamento de Deus. A vida é dura.


A verdade é que o maligno só se manifesta na minha falta de discernimento. Talvez o principal pedido que deva fazer ao Pai é que me dê esse discernimento que me permita viver com clareza o único plano de Deus para mim, que é, através de Cristo, viver uma vida de amor.

segunda-feira, 17 de março de 2025

Da carta aos Efésios

O aprender mais sobre o apóstolo Paulo avança, na medida das minhas limitações.


Leio Efésios, uma das cartas redigidas durante o seu cativeiro, se em Jerusalém, ou Roma, não se sabe, e sou confrontado com uma explosão de cor e de vivacidade que não encontro nos seus outros escritos. 


A forma como o plano secreto  de Deus para a humanidade é exposto pelo apóstolo é surpreendente. Aí está a diversidade e inclusão de todos. Aí está, também, o reforçar do que é a nova Criação inaugurada com a Ressurreição de Cristo.


"Sabendo que cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre." . Cap 6:8

sexta-feira, 14 de março de 2025

Do apóstolo Paulo

Vou lendo o livro O Debate Sobre São Paulo, de N.T. Wright. A ideia paulina, segundo o autor, de que com a Ressurreição de Cristo se iniciou uma nova Criação, com os seus paralelismos com o Jardim do Éden, surpreende-me.


Os seguidores de Jesus são o novo Homem. O Pai oferece-lhes, com o fôlego do Espírito Santo, a vida que Adão e Eva teriam antes de pecarem.


É uma perspetiva nova para mim. É uma boa surpresa.

quinta-feira, 13 de março de 2025

Da vantagem da vida cristã

Às vezes pergunto-me se haverá possibilidade de fixar a vantagem prática, no sentido de viver uma vida boa, de se ser um seguidor de Jesus. Enfim, chovendo tanto sobre o bom como o mau, ou sendo prósperos e livres de aflições tantos que não são seguidores de Jesus, como posso eu falar com eles acerca de como é bom e indispensável seguir Cristo?


A resposta que me dou é sempre a mesma: A vida boa é viver como Deus me diz para viver, com fé, seja com muito, calculo eu, ou com pouco, com doença ou sem ela, cheio de problemas que se arrastam durante décadas ou sem eles, mas sabendo sempre que terei os meus espinhos na carne, que poderão nunca vir a desaparecer. 


Se para outros isto não parece vantagem, para mim sim, considero que é.


 


  

sexta-feira, 7 de março de 2025

Da surpresa da revelação divina

É nos dias que começam anónimos, iguais a quase todos os outros, que o Pai se manifesta quase sempre. De surpresa, talvez para que eu não possa considerar a possibilidade de algum mérito próprio, surge a revelação clara, óbvia e inevitável. 


Aconteceu hoje de manhã, bem cedo, sem que eu o procurasse. Como sempre, de um modo que consola e, ao mesmo tempo, indica os próximos passos do caminho.


É uma experiência individual e maravilhosa que, embora não seja necessária à fé, reforça-a. 

quinta-feira, 6 de março de 2025

Da existência do Logos

Dou conta da existência de uma app chamada Logos. No site é apresentada como "o futuro do estudo bíblico." É interessante como não é um dos futuros, mas sim o futuro.


Qualquer seminário teológico, qualquer conhecimento pastoral e qualquer comunidade é colocada, assim, no passado caso não seja baseada nesse famoso Logos.


Eis os novos tempos, com o conhecimento afunilado, agora também no que ao cristianismo diz respeito. 


Isto é tudo mesmo muito interessante.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Dos Atos dos Apóstolos I

Releio os Atos dos Apóstolos. Nos primeiros capítulos a sequência de milagres e eventos espetaculares é avassaladora.


Entre muitas outras ocorrências, toda a gente tende a falar línguas estranhas quando recebe o batismo do Espírito Santo, Filipe é teletransportado, Pedro é libertado da prisão por um anjo que mais ninguém vê, e que desaparece ao virar uma esquina, e Paulo, falando, aplica a cegueira a um tipo porque este estava a ser impertinente. 


A estranheza de tudo isso faz-me sentir que esses primeiros tempos do cristianismo estão a um universo inteiro de distância. Não consigo imaginar como seria presenciar e viver esses eventos miraculosos, dir-se-ia, quase quotidianos, mas sei que me está vedado, que não vou viver coisas do género como testemunha. Agradeço ao Pai não serem necessários para a minha fé.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Da simplicidade da verdade

A fé cristã expressa-se no amor.


Oiço o pregador e percebo. É tão exato e simples.


Agradeço ao Pai este escrever na rocha que, embora intuído, nunca tinha conseguido condensar  nessas tão poucas palavras.


Espero nunca as esquecer.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Da alegria do culto

A alegria que sinto, agora com 51 anos, em ir ao domingo ao culto na igreja foi uma das grandes surpresas da minha vida. Depois da desilusão total e afastamento na primeira parte dos meus 20 anos de idade, dou agora por mim, após voltar a congregar há uns 4 anos atrás, com o mesmo entusiasmo da infância. 


Dou graças ao Pai por isso e por ansiar por esse ponto alto da semana.


 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Da segunda vinda de Cristo

Fico sempre surpreendido quando leio a fixação de Paulo na iminente segunda vinda do Senhor. 


A questão do período temporal da segunda vinda de Jesus é misteriosamente relativizada pelos cristãos, quando é óbvio que tanto os evangelhos, como as cartas paulinas, indicam que essa primeira geração acreditava mesmo que a coisa se ia dar durante o seu período de vida.


Só este dado acerca de como Paulo estava enganado seria suficiente para se tomar as suas cartas com mais leveza do que aquela, a maior de todas, a do sagrado, que lhe atribuem. 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Da vida que Cristo nos proporciona

Não só consolo. nem só também cura. Quando o Pai me entrega a Sua paz, o gozo que me enche não tem comparação com nada neste mundo.


Como explicar isto a alguém?


 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Das tentativas de negociar com Deus

Por vezes acontece as minhas orações ao Pai serem contratuais, como em algo do género "Se fizesses acontecer isto, que eu acho tão importante acontecer na minha vida, de certeza que eu iria poder ser um melhor cristão."


Aí estou eu, ínfimo, insignificante, um ser humano de tão pouca sabedoria e limitado pela minha pobre consciência e materialidade, a propor um negócio ao Criador do Universo, que é omnisciente e omnipotente, na mais clara demonstração, como se mais fossem necessárias além das restantes que permeiam o meu dia-a-dia, de que, por vezes, tendo para a mais absoluta falta de noção. 


A prece que o Pai ouve é a que agradece, pede orientação para saber a Sua vontade e intercede por outros. 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Da escolha dos erros que me permito cometer

Se eu evito errar, porque é que relevo alguns dos meus pecados sistemáticos como se eles não fossem erros? Como é que é possível querer conformar-me à imagem de Cristo e não abdicar da arrogância que é escolher entre pecados e continuar a praticar os que me apetece com o artificio de não os pensar como pecados?


Parece algo muito básico, mas isto surgiu ontem, de repente, muito vivo e prático em relação à minha vida. Está a mexer comigo e eu agradeço ao Pai por isso.


 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

O problema do mal

Decido voltar a estudar o “Problema do Mal”, um dos argumentos mais comuns para a impossibilidade de Deus.


É um assunto com vida longa e cuja discussão tem sido desenvolvida de um modo admirável.


Confirmo, para já, a minha impressão de que será um problema mais emotivo do que lógico. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

O orgulho imprevisível

Dou por mim a querer falar acerca da vida espiritual como se tivesse algum tipo de capacidade de instruir. 


Sobretudo, não devo confundir o entusiasmo acerca do que vivo com o Pai com a ideia de que poderia ser um mestre de alguém.


O meu orgulho, a minha vontade de ser importante entre os meus pares, é uma pedra de tropeço que devo sempre ter em conta. Quantas vezes estive mal nesse aspeto...


Sobretudo ouvir. O Pai irá indicar-me o raro momento certo para falar.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Das dúvidas acerca do batismo

Falo com alguém que hesita em pedir para ser batizado. Diz que tem muitas dúvidas e que isso é um passo muito sério. 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Da predica II

A predica no culto. A forma ou o estilo do pregador serão sempre irrelevantes quando comparados com as palavras.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Da predica I

A predica nos serviços religiosos evangélicos é um elemento central. É um exercício que sempre me interessou, porque varia não só no estilo, mas também no tipo de conteúdo.


Em relação ao estilo, há os sérios, os zangados, os simpáticos, os humildes, os papás, os que gritam, os que leem tudo e de vez em quando olham para a congregação, os que não param quietos como se numa zona de catástrofe, os que se emocionam e choram, os frios como gelo, os que esbracejam com os dois braços ao mesmo tempo enquanto rodam as mãos num desejo de desenvolvimento cinético para o que estão a dizer, os que parece que estão num jogo de ténis, fixando uma e outra vez os pés como que se preparando para receber uma bola de serviço, os que usam histórias ilustrativas, os preocupados, os de gravata, os de polo, os de sweat shirt, os de t-shirt, os de intensidade contínua, os de intensidade imprevisível e os de intensidade baixa.


Já em relação ao conteúdo, há só três tipos: os que apresentam as Boas Novas com alegria, os que estão ali para administrar terapia psicológica e os que estão ali para nos fazer sentir miseráveis.


 

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

O renascimento das comunidades cristãs locais

Agradeço ao Pai ter percebido, depois de muitos anos com uma opinião contrária, a importância da comunidade cristã local.


Nesta altura da minha vida acredito que a igreja será um tipo de comunidade muito valiosa para o ser humano, crente ou agnóstico.


De certo modo, é muito interessante verificar como, após uma segunda parte do século XX em que cultura ocidental virou costas o cristianismo, me parecer estar a existir uma reabertura ao cristianismo e um renascer das igrejas, ou comunidades cristãs,  como local central na vida de muitas pessoas.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

O meu armário de curiosidades

Às palavras de Jesus que são misteriosas, e que não consigo interpretar de um modo definitivo, coloco num espaço próprio que reservei dentro da minha mente.


De tempos a tempos penso nelas e observo-as como as curiosidades inclassificáveis que são, acabando, quase sempre, por fechar a porta desse armário com um inconclusivo encolher de ombros. A exceção acontece quando uma revelação rara se dá a conhecer e as posso retirar e passar a usar no meu dia-a-dia. Gosto muito destes momentos.

domingo, 26 de janeiro de 2025

Da escolha da Igreja a que se quer pertencer

Se a religião é tão importante para mim, devo procurar a comunidade que está de acordo, ou mais perto, da verdade. Perante tantas organizações e opiniões teológicas, é fácil ficar paralisado e não optar por nenhuma, uma vez que irei encontrar motivos de dúvidas nas certezas absolutas com que cada uma delas se apresenta. Foi isso que me afastou da igreja durante duas décadas.


Consegui resolver esta questão minimizando ao essencial o meu cristianismo: o Deus Criador existe e quer que eu tenha uma relação pessoal com Ele através de Jesus, que ressuscitou e venceu a morte, demonstrando assim a sua divindade. 


A partir daqui é simples juntar-me a uma comunidade. É como os contratos com, digamos, uma operadora de telecomunicações: não me vou dar ao trabalho de ler as letras pequeninas, isto é, os enredos teológicos e de tradição de cada comunidade, desde que o fundamental seja o foco. Sem nunca ir contra a minha consciência e intuição, a única regra, poderia juntar-me facilmente a Católicos, Ortodoxos ou Protestantes.


Pertenço a uma comunidade evangélica porque foi assim que fui criado e porque não encontro nenhum obstáculo fundamental nas suas práticas. Quem sabe se no futuro não irei derivar para outros lugares? Só o Pai sabe e assim é que está bem.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

O Materialismo e a Fé

Do mesmo modo que eu não posso provar a alguém o amor que sinto, digamos, pela minha esposa, também não é possível provar a ninguém a existência da minha fé no Pai. Posso tentar explicar, é certo, e tem sido assim ao longo de dois milénios com cada cristão, mas nunca provar de um modo universal.


A Fé e o Amor existem de um modo irrefutável dentro de mim. É uma outra manifestação da existência, algo íntimo para além do que é físico.


É esse primeiro passo racional que um materialista terá de dar se quiser perceber a Fé.


 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Da ignorância religiosa crónica

É com surpresa que verifico que o Amarás o teu próximo como a ti mesmo é uma referência ao livro de Levítico, escrito, pelo menos, 350 anos antes de Cristo. 


Desde pequeno que pensava nessa frase como uma originalidade e um momento de génio de Jesus. 


Penso nisto e reflito nas minhas outras certezas acerca da Bíblia certamente baseadas na minha falta de conhecimento. Sim, é impossível erradicar a ignorância da minha religiosidade, o que, na verdade, acaba por ser libertador.


Graças ao Pai, a Fé é uma outra coisa, muito mais importante. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Da inaptidão para o cristianismo

As tão diversas direções que o cristianismo pode tomar deixam-me confuso. Por isso, tenho muitas dúvidas acerca do que leio e oiço, não porque ache que as afirmações estão erradas, mas porque não as consigo pensar de um modo útil.


Admiro-me perante a sistematização sofisticada que salta de versículo para versículo ou perante a tradição que se justifica por si só. Começa-se em A, passa-se para B, depois para C e, pronto, antes de chegarmos ao D já me parece que o castelo de cartas ruiu dentro da minha mente.


Deve ser formidável ter tantas e tão profundas certezas teológicas. Eu talvez gostasse de ser um pouco mais inteligente para lhes chegar. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Dos dons

Apercebo-me, passados todos estes anos, que quando se refere aos dons em 1 Coríntios 12:1-11, o apóstolo Paulo não se refere ao dom do milagre, mas ao dom de cura. Enfim, é um acrescento bem vindo e um território ganho à ignorância que agradeço.  

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Do silêncio crepuscular

Aos poucos, lentamente, o silêncio, ou antes, a falta de palavras, vai tomando conta de mim. Até em relação a Cristo e ao testemunho da minha relação com o Pai. É como se as convicções, cada vez mais simples e primordiais, estivessem a perder a capacidade de serem verbalizadas a não ser em oração.